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Oyá Rainha e generosa mãe guerreira

Oyá Rainha e generosa mãe guerreira


Em nossa jornada, é comum buscarmos referências que nos amparem diante dos desafios da vida. Pessoas e personalidades cuja as expressões de vida representam um norte para nossa própria existência. Na ancestralidade africana, existem os arquétipos dos orixás representando aqueles que vieram antes de nós. Essas histórias, principalmente dos arquétipos femininos, nos inspiram, trazendo ensinamentos para nossa própria trajetória. Sendo o impulso às mudanças estruturais necessárias para o mundo: o patriarcado opressor, a escassez, o capitalismo.


Na busca por estas mudanças, dentro da jornada de transformação do mundo e em busca pela espiritualidade, Oyá nos tomou nos braços e mostrou quais caminhos seguir na concretização daquilo que era importante para nós: matriarcado como via de transformar nossos afetos, nutrição e igualdade. No dia 4 de dezembro, homenageamos esta Agbá, pois em terras brasileiras — onde é mais conhecida por Iansã — é sincretizada com Santa Bárbara. Ela é a senhora do nosso destino!


A Orixá guerreira e de personalidade forte, incorpora um feminino potente, transgressor e apaixonado. Ela é a mulher que preza pela sua autonomia, que não se contenta com os papéis de submissão, muito menos aqueles impostos pela doença do patriarcado. Sua fortaleza impõe respeito: “quando Iansã vai para a batalha, todos os cavaleiros param, só para ver ela passar”. Bate de frente com quem quer que seja quando há injustiças, pois não as tolera. Oyá é facilmente associada ao feminismo, mulher liberta e ardente que é.


Nessa ressonância energética, a escolhemos (ou ela nos escolheu) como mãe de nossa jornada no Café Oyá. Seu temperamento empreendedor e altivo nos inspira diariamente a vencer as batalhas tocando um empreendimento vegano que preza pela justiça e igualdade entre a humanidade, natureza e sociedade. Seu arquétipo nos trás a liderança, ponderada com justiça: garantir o sustento sem perder o foco no nosso propósito, uma verdadeira lição de autonomia com responsabilidade. Sua paixão nos mostra como devemos caminhar na vida, pois fizemos do nosso prazer, nosso trabalho. Oyá gosta dos comércios e feiras liderados por mulheres e se faz presente no cotidiano dessas guerreiras, que ficam sob seus cuidados.


Oyá em África


Para entender Oyá, precisamos entender as visões africanas em torno da vida, da comunidade, do alimento e da natureza. Originalmente, os Orixás são ancestrais reverenciados nas cidades formadoras do povo Yorubá, posteriormente divinizados e somados às forças da natureza. A essência de Oyá é liberdade e transformação, então relaciona-se ao tempo atmosférico: os ventos, os raios, as tempestades. Uma mulher que não se contentava apenas com os afazeres domésticos e a maternidade e, por isso, sempre se inclinou a desbravar as mais diversas atividades, tendo aprendido segredos de todos os outros Orixás.


Conhecida como a rainha do raios, senhora das tempestades, é ligada à força da destruição. O processo de Oyá é semelhante ao do sistema digestivo. Ela simplesmente é a dona do movimento da vida, garantindo que todos os nutrientes se movam para onde devem fluir e fazendo a limpeza das toxinas. Por isso Oyá também é alimentação. A destruição, nesse caso, é apenas uma etapa de limpeza, para que a renovação possa seguir o seu curso natural.


O maior rio do Oeste africano leva seu nome. Nasce na Guiné e segue passando pelo Níger, Mali, Benin e Nigéria. O trajeto dos rios tem essa função de recolher e distribuir nutrientes, águas, pessoas em suas embarcações e levar impurezas para onde desemboca, geralmente no mar, território de Iemanjá, também chamado de a Grande Calunga, onde tudo morre e renasce. Para as civilizações africanas, os rios são sagrados por sua importância para a economia e sobrevivência. Deles nascem a vida, os recursos naturais. São importantes para a construção da política e da economia, bem como para as delimitações geográficas. Assim é Oyá.


Ao honrar os recursos naturais e reconhecer os aspectos sagrados da natureza, as civilizações africanas desenvolvem uma relação de proximidade com o espírito, trazendo essa presença divina para tudo que permeia a vida. Ao relacionar o rio Oyá com essa força feminina que movimenta e renova a vida, os africanos reconhecem que sem essa grande Mãe, estaríamos fadados à escassez, já que tudo tenderia ao apodrecimento e desperdício. Sendo assim, Oyá é a guerreira que luta pela transformação, a Rainha que garante a abundância e a partilha, fazendo com que o alimento chegue à mesa de todes, igualmente.


Foi seguindo a direção desse vento que soprava dentro de nossos corações, com o céu alumiado por uma raio de trovão, que encontramos nosso caminho. Oyá nos mostrou nosso caminho e essa missão de nutrir o mundo, transformando toda a vida que nos cerca, espalhando nossos ideais de justiça e abundância para todes. Essa força feminina, potência e liderança que nos move diariamente. É esse o axé de que somos feites. Eparrey, Oyá!



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