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Dia Nacional da Visibilidade Trans

Dia Nacional da Visibilidade Trans

Data amplia o debate sobre inclusão social e comemora conquistas


O Dia Nacional da Visibilidade Trans é comemorado em 29 de janeiro e tem como objetivo promover reflexões acerca da cidadania transexual, travesti e não-binária. Que avanços podemos comemorar até aqui? Quais são os espaços acolhedores para estas pessoas? Que entraves ainda estão sendo combatidos?


O próprio dia 29 de janeiro foi escolhido em honra a uma vitória simbólica do movimento trans. Em 2004, durante o governo do presidente Lula, o Ministério da Saúde lançou a campanha “Travesti e Respeito”. Essa foi uma das primeiras vezes em que o Estado teve o público trans como alvo de uma campanha. Isso representa um avanço em termos de visibilidade para uma população que esteve sempre relegada ao apagamento.


De lá para cá, mesmo com alguns avanços, como a possibilidade de troca de nome e procedimentos cirúrgicos gratuitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a existência trans, travesti e não-binária ainda permanece marginalizada, carregando muitas dores e sofrendo preconceito.


O Brasil é um dos países que mais mata pessoas transexuais no mundo. Dados da Organização Não-Governamental TransGender Europe (TGEU), que monitora a situação dos direitos humanos de pessoas trans em diferentes partes do mundo, indicam um total de 2.609 assassinatos em 71 países, entre primeiro de janeiro de 2008 e 30 de setembro de 2017.


Uma das grandes dificuldades destas pessoas é encontrar acesso à educação e ao mercado de trabalho. De acordo com dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra),

mais de 90% das travestis e mulheres trans brasileiras só encontram trabalho no mercado informal, principalmente na prostituição.


Sexo biológico e gênero


O sexo biológico está relacionado com a genitália e o sistema reprodutor que um ser humano carrega. Por conta da biologia, tradicionalmente, se designava como mulheres pessoas portadoras de útero e vagina e, como homens, pessoas com pênis e aparelho reprodutor acessório.


Junto a isso, as construções sociais nos impõem papéis de gênero muito bem definidos: o mundo passa a ser dividido entre coisas de mulher e coisas de homem, gerando uma performance a ser desempenhada.


Algumas pessoas sofrem uma profunda não-identificação, tanto com os papéis impostos socialmente, quanto com o corpo biológico. Ou somente com um ou outro. Estas pessoas se encaixam no rol das que não se identificam, total ou parcialmente, com o gênero que lhes foi atribuído ao nascer.


Dentro deste espectro, temos as pessoas transexuais, as travestis, as não-binárias, as agênero e as intersexo. É toda uma pluralidade de seres que ainda encontra barreiras e preconceitos para inserção em uma sociedade que só aceita duas formas de ser. Por isso, o Dia Nacional da Visibilidade Trans é uma data de suma importância, já que amplia o debate e expõe as dificuldades dessas pessoas.


Nossos valores e a transgeneridade


No Café Oyá, o valor da igualdade é um dos que norteia nossa existência. Lutar por igualdade deveria ser um esforço coletivo, independente de como isso nos afeta individualmente. Não adianta acreditarmos na igualdade entre animais e ignorarmos todos os aspectos da diversidade humana. Acreditamos que podemos atuar de forma transformadora, utilizando o nosso espaço para promover acolhimento a todes. Temos ações que visam tanto ampliar a visibilidade das pessoas trans, como também para inseri-las no mercado de trabalho de forma digna.


Em nosso quadro de colaboradores, já contamos com o Fufy dy Siryus, a Cinthia Santos e o Caetano Vilaça. Pessoas que, orgulhosamente, ainda fazem parte da família Oyá. “Tenho até hoje a Lu e o Gui como amigos que levo para a vida. É um lugar de acolhimento, de diversidade. Sempre muito abertos e respeitosos em relação a essas questões. Sempre tive liberdade de ser quem eu sou. Sou muito feliz por fazer parte desse corpo que é o Café Oyá”, diz Fufy dy Siryus, nosso colaborador, 27 anos — que também é artista, performer e DJ.


Nós agradecemos imensamente a oportunidade de tê-los como colaboradores e pelos aprendizados e amor que trouxeram para nossa casa.



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